
Como venci o inferno da dependência de drogas
Eduardo Evangelista de Souza
é designer gráfico por profissão. Nascido
e criado em Xerém, viveu durante quase dez anos no que
poderíamos chamar de inferno da dependência de
drogas. Foram anos de sofrimento, loucura e luta desesperada.
Passou por várias tentativas de tratamentos com psicólogos
e psiquiatras na procura de se libertar da dependência
da maconha, cocaína, álcool e bolinhas (analgésicos,
calmantes e estimulantes). Finalmente foi internado em uma casa
evangélica de recuperação e tratamento,
em São Paulo, onde encontrou a porta de saída
para o seu problema.
Hoje, após 23 anos de libertação, ele
trabalha como diretor e conselheiro do Projeto
Vida Urgente, ajudando pessoas e famílias na luta
contra a dependência química. Um belo exemplo de
vida.
Você pai ou mãe, você jovem, que tem atravessado
esse problema, leia com atenção esse testemunho
de vida. Prova concreta de que o amor de Deus, através
de Jesus Cristo e a força de vontade, são capazes
de abrir as possibilidades para a libertação de
qualquer dependente de drogas.
Projeto Vida Urgente
- Quando e de que maneira você se envolveu com drogas?
Eduardo - Eu tinha 16
anos. Morava com minha família na Vila Nossa Senhora
das Graças, em Xerém, e estava estudando na Escola
Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca, no Maracanã,
na cidade do Rio de Janeiro. Era uma Escola Técnica formada
principalmente por alunos adolescentes e de classe média.
Lá eu tive meu primeiro contato com as bolinhas (analgésicos,
calmantes e estimulantes) e a maconha.
Na época eu era um adolescente com dificuldades de relacionamento.
Tímido, sentia necessidade de ser aceito pelo grupo de
colegas. Ao mesmo tempo me sentia atraído para o convívio
com pessoas consideradas de atitudes marginais. O grupo de colegas
na escola era inexperiente no uso de drogas. Começamos
a usar juntos, rapazes e moças. A maioria com os mesmos
conf1itos interiores e familiares. Buscávamos emoções
fortes para preencher nossas deficiências como adolescentes.
Infelizmente, quando se começa nessa viagem não
se pode ver como será o seu final. E o final é
terrível: sofrimento, dependência, loucura e morte.
Projeto Vida Urgente
- Dê exemplos de acontecimentos marcantes e negativos
durante a sua vida de dependente de drogas.
Eduardo - São
experiências terríveis, que trazem dor, mal estar
e que não desejo para ninguém. Falo sobre elas
para ajudar aos pais e jovens que estão vivendo esse
problema. Um desses exemplos foi a grande queda do meu rendimento
escolar. Aos 16 anos fui classificado em sétimo lugar,
entre milhares de candidatos, para a vaga no curso de técnico
em edificações da Escola Técnica Federal.
Era considerado um adolescente produtivo nos estudos. Após
dois anos de uso constante de drogas fui expulso (jubilado)
da Escola Técnica por ter sido reprovado três vezes
seguidas no segundo período do curso. Já não
conseguia estudar direito. Minha mente não absorvia as
matérias. Outro exemplo foi a minha primeira entrada
na emergência de uma clínica de saúde. Nessa
época morava em Jardim América com minha família.
Tomei uma dose excessiva de drogas e sofri uma crise de intoxicação.
Fui levado às pressas em estado semi-consciente para
essa clínica. Tentativas frustradas de tratamentos com
psicólogos e psiquiatras; perseguições
da polícia; f1agrantes da polícia com ameaças
de prisão; roubos e trocas de bens materiais por drogas
são outros exemplos malignos em minha vida. Passava dias
de fome, sem dinheiro para comprar comida, mas não passava
sem as drogas. Tive várias crises de alucinações
ou surtos psicóticos. Ouvia vozes e via coisas que não
existiam e estava à beira da loucura.
Projeto Vida Urgente
- Como foi a sua experiência de libertação?
Eduardo - Após
passar por tentativas de tratamentos cheguei a conclusão
de que precisava me isolar dos colegas e do meio em que vivia.
O contato com as drogas era diário e muito fácil.
Precisava ficar longe de tudo. Além disso, descobri que
era um doente, dependente químico, e que não tinha
forças nem condições de me recuperar sozinho.
Necessitava de um lugar onde pudesse começar tudo de
novo. Minha família descobriu uma casa de recuperação
evangélica em São Paulo chamada Desafio Jovem
Peniel. O método de tratamento era a força de
vontade e a fé no poder de Deus. Fiquei internado durante
três meses, de dezembro de 1983 até início
de março de 1984. Durante esse período recuperei
o amor à vida. Descobri realmente quem é Deus
através do amor de Jesus Cristo. Ele me deu o que não
possuía. A força para começar uma nova
vida.
Projeto Vida Urgente
- Qual o conselho que você daria para aqueles que desejam
se libertar das drogas?
Eduardo - Em primeiro
lugar, aquele que usa drogas e não consegue parar, precisa
admitir que é um dependente. É um doente que precisa
ser tratado contra essa enfermidade. A partir daí serão
necessárias duas coisas fundamentais: a força
de vontade e a fé no poder de Deus. A minha libertação
só foi possível através desses dois caminhos.
Por mais terrível que seja a prisão e as condições
de dependência sempre é possível a recuperação.
Essa recuperação se dá através de
um processo lento de redescobrimento do amor próprio
perdido. Não podemos esquecer que a família tem
um papel importantíssimo nesse processo. Meus pais me
apoiaram muito nessa fase. Recebi deles e de meus irmãos
todo o amor e solidariedade que precisava. Se você está
na mesma situação em eu e minha família
estava, saiba: existe esperança e solução
para você!
Nós, do Projeto Vida
Urgente, trabalhamos com esses objetivos. Estamos aqui
para ajudar a todo dependente de drogas e seus familiares.

Eduardo Souza
Diretor do Projeto Vida Urgente
Voltar para
a lista de depoimentos |