As lições de Johnny
A história de João Estrella, rapaz de classe média preso por vender cocaína nos anos 90, ajuda a explicar por que hoje tantos universitários traficam ecstasy
Revista Época, 14 de janeiro de 2008 - Texto de Celso Masson, Martha Mendonça, Solange Azevedo e Rafael Pereira.

“MEU NOME NÃO É JOHNNY, meu nome é João. Não sou bandido, não sou nenhum Pablo Escobar, não tenho quadrilha, não tenho fortaleza, não tenho dinheiro na Suíça. Se eu fosse tão poderoso assim, minha família não ia estar vendendo o único imóvel para pagar minha defesa. Eu usava droga, vendia, ia usando, ia vendendo...”.

Com os olhos vermelhos de choro e vergonha, defendendo-se no tribunal perante a juíza  Marilena Soares (Cássia Kiss), conhecida por seu rigor, o ator Selton Mello personifica no filme Meu nome não é Johnny, o carioca João Guilherme Estrella, jovem de classe média que se tornou um dos maiores fornecedores de cocaína nos anos 80 no Rio de Janeiro. A mãe de “Johnny”, a atriz Júlia Lemmertz, enxuga as lágrimas ao ouvir o filho. No escurinho do cinema, avós, pais, mães e jovens se emocionam. Desconfiam que a cena poderia acontecer na família deles. O drama exposto com sensibilidade por Selton Mello é o de uma sociedade que não sabe como deter o fascínio que o mundo das drogas, com seu dinheiro fácil e a ilusão de onipotência, exerce sobre jovens aparentemente comuns. Por que cada vez mais, os filhos da classe média, educados com carinho, mesada e oportunidades, e com o futuro róseo pela frente, escolhem o caminho do crime? E por que o ecstasy tomou o lugar da maconha e da cocaína como a droga típica do tráfico “de elite”?

Meu Nome não É Johnny, mesmo sem grandes pretensões, estreou no dia 4 com sucesso retumbante. No primeiro fim de semana, 151.486 ingressos foram vendi­dos. Somados aos 38.921 espectadores que viram o filme nas pré-estréias, o publico supera 190 mil pagantes. É uma das dez melhores bilheterias de estréia de filme nacional dos últimos 13 anos. Não hou­ve cópias piratas como em Tropa de Elite, que também trata de tráfico de drogas, mas sob o ângulo do policial e do bandido. Johnny é um filme didático para a família. Por isso vêem-se na platéia adolescentes em companhia dos pais. Em muitos casos, a ida ao cinema é vista pelos pais quase como uma campanha de prevenção. Afi­nal, têm sido noticiadas com freqüência alarmante as prisões de quadrilhas de uni­versitários traficantes. Cena raríssima há poucos anos, é hoje comum a aparição na mídia de jovens bem-nascidos algemados, fichados e presos.

A história de Johnny como fornecedor de cocaína começou no fim dos anos 80. João tornou-se traficante quase por acaso, por sua popularidade junto aos "maurici­nhos" e "patricinhas" da época. Depois de uma infância dourada, com o pai se ves­tindo de Papai Noel, passando as tardes de domingo em família no Maracanã e sendo tratado em casa como reizinho, saltou do consumo para o tráfico - quase uma ação entre amigos, a princípio - e foi preso em 1995, prestes a levar 6 quilos de cocaína para o exterior. Ficou dois anos no mani­cômio judiciário. Saiu barato a sentença. Ele diz que sua vida foi salva pela juíza, que não o enxergou como um criminoso irrecuperável nem como um perigo para a sociedade. Nem mesmo como um bandi­do, mas como um jovem "em desvio".

Nos anos 80, Johnny era de fato um desvio. Uma exceção. Os traficantes de drogas ainda são, é claro, exceções em qualquer estrato social, e ainda mais entre os garo­tos de classe média. Menos, porém, bem menos que duas décadas atrás. Hoje, há muito mais Johnnies. A maioria deles nas universidades. A principal causa para a proliferação de traficantes ricos e cultos foi a chegada do ecstasy, uma droga que parece inofensiva e permanece desvincu­lada da violência dos morros. Sua aura de asséptica atenua o tabu que paira sobre o consumo de drogas e suaviza a fronteira que existe entre o usuário e o traficante.

Nos últimos dois anos, o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) prendeu 2.068 traficantes em flagrante na cidade de São Paulo. Cerca de 200 vendiam ecstasy. Desses, pelo menos 80% eram de classe média. ''A maioria era estudante universitário ou tinha o terceiro grau comple­to'; diz o delegado Luiz Carlos Magno, do Denarc. Desde 2003, o número de apreen­sões de ecstasy feitas pela Policia Federal triplicou no país. No ano passado, seis de cada dez comprimidos foram apanhados em São Paulo. A pena para esse tipo de crime, considerado hediondo, vai de cinco a 15 anos de reclusão. Mesmo assim, quem vende não se vê como traficante. "Eles não se consideram bandidos. Costumam dizer que não têm antecedentes criminais, não usam armas nem obrigam as pessoas a tomar ecstasy", diz Magno.

No fim do ano passado, a polícia pren­deu um dos maiores traficantes de ecstasy do Rio de Janeiro, Carlos Domingos Moreira Júnior, de 36 anos, o Carlão. Ele é apontado pela polícia como o principal fornecedor de ecstasy em festas de músi­ca eletrônica da zona oeste do Rio. Filho de empresários de classe média alta, vivia com o lucro da venda de drogas havia pelo menos três anos. Segundo as investiga­ções, ele recebia carregamentos semanais de até mil pílulas, cada uma revendida por valores entre R$ 25 e R$ 35.

Em novembro, a Operação Octógono, da Delegacia de Combate às Drogas do Rio de Janeiro, colocou atrás das grades 11 jovens de classe média acusados de per­tencer a uma quadrilha que vendia drogas sintéticas em academias, universidades, bares e boates. A delegada Patrícia Aguiar, líder das investigações, diz que o perfil dos jovens é quase sempre o mesmo: eles têm entre 18 e 24 anos, moram com os pais ou outro familiar e estão matriculados em universidades particulares. Entre os 11 detidos, está a jovem Jéssica de Albu­querque Corrêa, de 18 anos. Ela é mais um indicador da mudança no perfil do traficante. Até ser presa, Jéssica trabalhava em um escritório de contabilidade.

Na Operação Octógono, um detalhe que chamou a atenção da delegada foi a quan­tidade de linhas telefônicas usadas pelos jovens. "Como os pais não percebem? Será que acreditam que é tudo para falar com amigos?" Para a psicanalista carioca Lulli Milman, que trata de adolescentes e jo­vens há 30 anos, os pais não conseguem enxergar o envolvimento dos filhos com drogas porque isso lhes provoca a dor de encarar seus erros e suas frustrações como educadores. Quando foi assistir ao filme, a mãe de João Guilherme Estrella saiu da sala no meio da exibição. Além disso, desconhecem os novos códigos de uso e venda de drogas. "Para boa parte dos pais, 'tráfico' é coisa de pobre e de morro", diz Lulli. "Como as dro­gas sintéticas são relativamente novas, muitos não têm sequer idéia de que as negociações são feitas pela internet ou pelo telefone e que a entrega pode ser feita com os comprimidos dentro de inocentes vidros de remédios."

Segundo a delegada Patrícia Aguiar, ao chegar à delegacia e ver seus filhos presos, a reação dos pais é de tristeza e decepção. Muitos negam a situação. A maioria se mostra curiosa em saber o que a operação apurou. Alguns chegam a interrogar os policiais em busca de informações sobre os filhos. Boa parte sabe que os filhos são usuários, mas não acredita que sejam traficantes. O advo­gado Paulo Roberto David, de 57 anos, pai de Pedro Paulo, outro estudante preso, nega que o filho seja traficante. “Se comprou mais e vendeu alguma vez, foi para amigos: afirma”.

"Em geral, a atitude das famílias em relação ao envolvimento dos filhos com drogas é de negação: diz Rosa Maria Macedo, coordenadora do Núcleo de Família e Comunidade da Pontifícia Uni­versidade Católica de São Paulo. "Pais de classe média, em geral, percebem sinais do envolvimento dos filhos com drogas. Mas acham que se trata de uma fase e que aquilo vai passar”. Ela diz que é mais aceitável, para esses pais, enxergar o filho como doente que Como bandido. "Nas classes mais baixas, os pais enxergam a entrada dos filhos no tráfico como destino. E lutam para livrá-las disso. Sabem que têm de fiscalizá-los de perto”. Nas classes média e alta, os pais geralmente acham que aquilo não vai acontecer.

"O ecstasy criou um novo padrão de consumo de drogas”, diz o psiquiatra Dar­tiu Xavier da Silveira, da Universidade Fe­deral de São Paulo (Unifesp). Segundo ele, a popularização na classe média ocorreu por se tratar de uma droga considerada "limpa”. Tomá-la não envolve um ritual. Leva menos de três segundos. A maconha precisa ser separada em pequenas quan­tidades, enrolada em um papel e fumada como cigarro. A cocaína precisa ser pre­parada antes da inalação. Além disso, o ecstasy deixa menos rastros visíveis e não causa dependência. Depois de algumas horas da ingestão, o usuário fica, aparen­temente, "novinho em folha”. A droga, vendida na forma de comprimidos, tem outra vantagem: desperta menos suspeitas nos pais. Não deixa o cheiro característico da maconha impregnado nas roupas e nos cabelos nem os olhos vermelhos.

Entre os usuários, o ecstasy costuma ser chamado de "bala”. Produzido em laboratórios clandestinos em países da Europa, ele é comprado em cidades da Holanda, Bélgica e Inglaterra, entre outros países, e trazido ao Brasil por jovens que costumam viajar para o exterior. O usuário final não precisa ir ao morro. Basta ter contatos na noite. Ou tomar um avião para Londres.

A nova droga que empurrou a classe média para o tráfico é um tipo de anfetamina, cujo princípio ativo, o MDMA, foi sintetizado e patenteado pelo laboratório Merck, na Alemanha, em 1914. O objetivo era usá-lo como moderador do apetite, mas ele nunca chegou ao mercado na ver­são industrial. Esquecida até o fim da década de 60, a fórmula foi "redescoberta" na Califórnia como um suposto auxiliar em tratamentos psicoterápicos, por facilitar a interação social. Na ocasião, foi apelidada de "a droga do amor”. A partir dos anos 80, os europeus começaram a introduzir esses comprimidos em festas e boates, e o uso recreacional se espalhou pelo mundo. Em 1988, as autoridades dos Estados Unidos proibiram o ecstasy. A decisão foi segui­da por outros países. Apesar de proibido, na lógica de quem usa, o ecstasy é apenas parte de um pacote de diversão integrado ao estilo de vida de quem passa a noite dançando em casas noturnas. Mas não se trata de uma droga sem riscos.

"Os danos cerebrais podem ser maio­res que os produzidos pela cocaína”, diz Ronaldo Laranjeira, coordenador da Uni­dade de Pesquisa em Álcool e Drogas, da Unifesp. De acordo com o psiquiatra, o ecstasy produz lesões em alguns neurônios, especialmente nos responsáveis pelo prazer. Por isso, dias depois de ingerir o comprimido, a pessoa costuma ter uma espécie de ressaca. "No caso de usuários casuais, o cérebro acaba se recuperando”, afirma Laranjeira. O problema maior é para os que fazem uso freqüente da droga. Ao tomá-la repetidamente, o organismo começa a se tornar tolerante à substância. Buscando repetir a sensação de prazer das primeiras experiências, o usuário au­menta a dose. Especialistas dizem que, na Inglaterra, pelo menos uma pessoa morre a cada semana em conseqüência do uso do ecstasy. A overdose pode ocorrer até com meio comprimido, dependendo da sensibilidade de quem o ingerir.

Qual o "barato" do ecstasy? Entre 20 e 60 minutos depois de tomar o comprimido, o usuário fica mais feliz e eufórico. Ele tem os batimentos cardíacos aumentados, o que sobrecarrega o coração. Os sentidos ficam mais aguçados, e a pessoa sente mais vontade de se comunicar com os outros. A temperatura corporal se eleva, podendo causar hipertermia - e até a morte. ''A pes­soa pode ficar desidratada sem perceber': diz o psiquiatra Silveira, da Unifesp. Para tentar reduzir os riscos de hipertermia, boates da Inglaterra foram obrigadas a instalar sistemas de ventilação e fornecer água gratuita aos baladeiros. Em São Paulo, até 1º de março, boates e casas noturnas deverão ter bebedouros com água potá­vel gratuita. A obrigação, que pode ser considerada uma política de redução de danos, é resultado de uma lei estadual proposta pelo deputado petista Simão Pedro. No Rio de Janeiro, propagandas de raves veiculadas em rádios garantem a venda de água ao preço de R$ 2 até o fim da festa.

A rave é o ambiente em que o ecstasy costuma ser consumido com maior freqüência. Esse tipo de festa surgiu no fim dos anos 80 na Inglaterra, com o boom da música eletrônica. No lugar de cantores e bandas, as estrelas da festa são os disc-jóqueis que se alternam no palco por dezenas de horas, sem interrupção. Em alguns casos, a festa começa na sexta-feira à noite e só termi­na na tarde do domingo. Para manter o pique por tanto tempo, o público recorre a estimulantes, sejam drinques energéti­cos misturados a bebidas alcoólicas, sejam drogas como o ecstasy. Muitas vezes, quem vai a uma rave toma um coquetel que mis­tura tudo isso. "Esses jovens são verdadei­ros alquimistas'; afirma o psicólogo Murilo Battisti, professor da Unifesp, autor de uma pesquisa sobre jovens que consomem dro­gas sintéticas. Ele acompanhou um grupo de traficantes e usuários de ecstasy em um intervalo de cinco anos e identificou perfis e padrões de consumo. O estudo de Battisti apontou que as festas de música eletrônica ainda são o carros-chefes do consumo de ecs­tasy. Mas a droga já passou para novos am­bientes, como micaretas (carnavais fora de época), festas menores e até praias isoladas. "O contexto do uso do ecstasy é sofisticado. Muitos jovens traficantes de ecstasy têm família estruturada e presente”.

Há três anos, a socióloga Maria Isabel Mendes de Almeida, da PUC-RJ, pesquisa o consumo de ecstasy. Para ela, a explo­são do número de jovens de classe média envolvidos com o tráfico desse tipo de droga tem como principal explicação o desequilíbrio entre autonomia e indepen­dência financeira. "Hoje, adolescentes e jovens adultos têm liberdade de ir e vir e traçam o próprio cotidiano, mas não têm recursos para seu sustento. Esse choque gera uma necessidade de dinheiro urgente, em especial numa sociedade que valoriza consumo e propriedade”, afirma. A soció­loga, que deverá lançar um livro sobre o tema ainda neste ano, diz que o jovem se acha dono do próprio nariz, mas de repen­te é cobrado pelos pais porque não estuda, porque não ajuda em casa ou porque chega muito tarde. "Traficar drogas em casa, pelo celular ou pela internet, tem sido uma das saídas. No caso das meninas, outra opção é ser garota de programa”.

O impacto do ecstasy na cultura jovem é o tema de um novo filme que será rodado por Marcos Prado, carioca de 46 anos, que tem no currículo a direção do premiado documentário Estamira e a produção de Tropa de Elite, do diretor José Padilha. Marcos Prado trabalha na finalização do roteiro que vai tratar do comportamento de jovens em festas rave e do consumo de drogas sintéticas. O filme deverá estar nas telas no começo de 2009. "Descobri que existem dois grupos envolvidos com a droga: os que usam de forma controlada para fins recreativos, e outro, mais jovem e mais descontrolado. São pessoas nas quais se percebe um vazio existencial, que exage­ram, não acreditam nas seqüelas e vivem o momento presente por temer o futuro”, diz Prado.

Como combater o fascínio que a droga exerce sobre esses jovens? Para a psicóloga Rosa Maria Macedo, doutora em Psicolo­gia da PUC-SP, a prevenção deve começar em casa. "Os pais têm de dialogar com os filhos. Deixar claro que em casa há regras. E mostrar como o envolvimento com dro­gas é perigoso e ilegal”, afirma. Como em outros aspectos da vida, a orientação dos especialistas é preparar os filhos para fazer escolhas corretas. Para Maria Isabel, como a grande motivação dos jovens de classe média que se envolvem com tráfico é o dinheiro, são raros os que não consomem muito. Alterações no padrão de compras são, portanto, um sinal de que algo pode estar errado. "Isso vale tanto para os pais que sabem que seus filhos são usuários quanto para os que não sabem”. A mesma opinião é compartilhada pela psicanalista Lulli Milman: "Como os pais convivem com os objetos de consumo com que seus jovens filhos aparecem em casa quando são apenas estudantes? De onde vem esse dinheiro, se não é deles?”

Um dos principais méritos do filme Meu Nome não É Johnny é mostrar com clareza a progressão de João Guilherme no caminho do tráfico. Isso se torna pedagó­gico, porque tanto o jovem que envereda por essa trilha quanto os pais que devem orientá-lo raramente percebem o labirin­to em que estão. Numa das cenas, Selton Mello presenteia sua mãe com uma jóia cara, e ela não pergunta como ele con­seguiu comprar aquilo. Para o psiquiatra e psicanalista carioca Luiz Alberto Py, mesmo estando inserido no cotidiano, o tema das drogas é tratado com reserva. "O filme preenche o espaço de troca de informações, mesmo que não-científicas, que não existe em casa”, afirma.

O jornalista Guilherme Fiúza, de 43 anos, diz que decidiu transformar a história de João Estrella em livro por considerá-la irresistível. "O cara não era um problemático. Era alguém inserido na família, cheio de amigos e com opor­tunidades. Mas optou por um caminho diferente", diz Fiúza. Em 2004, o livro despertou o interesse do cineasta Mau­ro Lima, que até então só havia dirigido um filme, o infanto-juvenil Tainá2. Para Lima, a história de João Estrella é uma saga, "a clássica parábola do homem que foi pelo caminho errado. Teve tudo, che­gou ao topo, caiu de lá e aprendeu".

O aprendizado foi duro, mas poderia ter sido pior. João só parou de traficar ao ser preso. Poderia ter pegado mais de dez anos de cadeia. Ele diz ter escapado da morte duas vezes, tanto na prisão quanto no manicô­mio, ameaçado por colegas de cela. A juíza Marilena Soares tinha tudo para condená-lo como traficante. Decidiu sentenciá-lo a dois anos, como dependente. Acredita ter feito a escolha certa: "João Guilherme Estrella é a prova viva de que é viável recuperar pessoas”.

Hoje, João é músico e produtor de discos. Costuma aconselhar os jovens assim: "Não comecem. Uma pessoa reage diferente da outra. As drogas podem ser uma simples experiência ou acabar com a vida”.


Os riscos do esctasy
Saiba como a droga surgiu e conheça seus efeitos

De onde veio o ecstasy?
O ecstasy é o tipo de anfetamina. Foi sintetizado e patenteado no início do século XX na Alemanha. O objetivo era usá-lo como moderador de apetite. Por ser tóxico, acabou descartado pelos germânicos. No fim da década de 60, a substância foi “redescoberta” na Califórnia como uma suposta auxiliar em tratamento psicoterápicos. A partir dos anos 80, europeus começaram a introduzir a droga em festas rave e o uso recreacional se espalhou pelo mundo.

Efeitos imediatos
O ecstasy aumenta os níveis de neurotransmissores que propiciam a sensação de prazer e bem-estar no cérebro. De 20 a 60 minutos depois de ingerir a droga, o usuário fica mais feliz e eufóricos. As sensações mais relatadas são:
Aumento da capacidade de comunicação, tato e audição mais aguçados, alteração na percepção do tempo e diminuição do medo. Os efeitos estimulantes e alucinógenos podem durar até oito horas. A intensidade das reações variam de acordo com a sensibilidade do indivíduo.

O dia seguinte
Mesmo usado em doses baixas, os efeitos residuais do ecstasy, como ansiedade, depressão, distúrbio de sono, fadiga, tontura, dores musculares, diminuição de libido e redução significativa das habilidades mentais, podem durar dias.

Potenciais e efeitos colaterais
Aumento da pressão arterial e da temperatura corporal (hipertermia). A hipertermia requer pronto atendimento médico, pois pode causar rapidamente um colapso muscular e falência renal. Desidratação, hipertensão e alterações no ritmo cardíaco também pode ocorrer. Falência hepática também está associado ao uso do ecstasy.

Efeito no longo prazo
Estudos feitos em animais revelam que o ecstasy pode causar lesões cerebrais e diminuição do números de neurônios. Os usuários pesados da droga podem causar confusão mental, depressão e prejuízo na memória e na atenção. Pesquisas mostram modificação na atividade cerebral nas áreas ligadas à emoção e às funções motoras.

Overdose
Pode ocorrer uma ingestão de apenas um comprimido de ecstasy e levar o indivíduo a morte. Os sintomas mais comuns da overdose são aumento da pressão arterial, convulsão, desmaio, perda da consciência e ataque de pânico. Mesmo sem overdose, os prejuízos cerebrais causados pelo ecstasy podem ser maiores que os pela cocaína.


O corpo em êxtase

• Cérebro: O MDMA aumenta a liberação de serotonina, que provoca efeitos alucinógenos.
• Coração: Um dos efeitos mais relatados é a taquicardia devido ao aumento do fluxo de sangue.
• Fígado: O ecstasy é uma das principais causas de falência hepática aguda.

A  viagem fácil das “balas”
Turistas brasileiros adquirem na Europa comprimidos de ecstasy, também chamados de “balas”, que são produzidos em laboratórios farmacêuticos clandestino. No Brasil, a venda é feita entre amigos, em festas, boates e até pela internet.

• Produção: Laboratórios clandestinos fabricam a droga em países como Holanda, Bélgica, Polônia e Inglaterra – o segundo maior mercado consumidor, atrás da Austrália.
• Compra: Os comprimidos, que podem conter diversas substâncias, incluindo cafeína, são vendidos por traficantes locais, que os oferecem em boates e nas ruas.
• Embarques: A droga é então escondida na bagagem do turista. Podem ser colocada em fundos falsos de malas, dentro de objetos como pranchas de surf ou misturada a remédios.
• Desembarque: O turista de classe média e alta levanta poucas suspeitas e raramente é revistado pela polícia. Cães farejadores ainda não foram treinados para reconhecer o ecstasy.
• Venda: Uma vez no Brasil, quem traz a droga oferece aos amigos ou revende em festas rave, shows, boates e até pela internet, em site de relacionamento.

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