
Por que os jovens usam drogas?
Caros pais,
A necessidade de esclarecimento aos pais decorre do fato de
que a maioria dos casos de dependência química
tem como causa algum problema de família, de criação
ou omissão dos pais.
Ainda que o objetivo central deste artigo seja uma conversa
amiga aos pais sobre a família e um relacionamento sadio
com os filhos, precisamos, para esclarecer, relacionar alguns
fatores que contribuem para que um jovem se envolva com o consumo
de drogas. Os fatores podem ser classificados em quatro ordens:
Fatores de ordem genética, fatores de ordem familiar,
fatores de ordem psicológica e fatores de ordem sociológica.
Fatores de ordem GENÉTICA
Pesquisas científicas recentes mostraram que pessoas
cujas células cerebrais (neurônios) tem alguma
deficiência no uso da dopamina, endorfina e serotonina
(neurotransmissores responsáveis pela sensação
do prazer), são mais propensas à desenvolver dependência
química e outras compulsões (comida, jogo, sexo,
etc). Elas teriam tendência a procurar com mais freqüência
atividades ligadas ao prazer, de modo a compensar a insuficiência
orgânica de produzir essas sensações. Em
resumo, existem indivíduos que nascem com o cérebro
deficiente na produção de sensações
do prazer e, por isso, sentem maior necessidade de procurar
estímulos artificiais para produzir esse prazer, principalmente
as drogas.
Fatores de ordem FAMILIAR,
PSICOLÓGICA E SOCIOLÓGICA
Os fatores de ordem psicológicas giram basicamente em
torno de problemas muito íntimos e pessoais. Pessoas
com complexo de culpa para amenizar a consciência se afogam
nas drogas. Outras com complexo de inferioridade e muito introvertidas
vêem nas drogas o escape que as torna eufóricas
e corajosas. Neste caso estão buscando auto-afirmação.
Estes são apenas dois exemplos de fatores de ordem psicológicas.
Existem muitos outros como crises depressivas, problemas nervosos
que de orgânicos evoluem para psicológicos, etc.
Os de ordem social são os decorrentes do relacionamento
do indivíduo com grupos sociais. Grupos sociais como
a “gang” do bairro, a turma da rua, da escola, do
trabalho, etc, exercem grande influência sobre a pessoa.
Os grupos sociais exercem pressão sobre o indivíduo,
levando o mesmo a fazer coisas que pessoalmente julgam erradas.
No grupo, porém, ele assume a personalidade média
dos colegas e, às vêzes, até extrapola.
É um garoto que começa a fumar porque naquele
grupo quem não fuma “não é homem”.
É a mocinha que vai para o apartamento do namorado porque
isto lhe dá um “status” de liberal e modernismo,
e ela quer ter o que contar às amigas e não quer
parecer antiquada. Com as drogas acontece o mesmo mecanismo.
Fatores de ordem FAMILIAR
Todo ser humano é essencialmente um ser social, isto
é, depende do relacionamento com outros seres humanos.
Nascemos da associação (social) do masculino com
o feminino. Devemos viver em condições normais
em uma família e, até à morte, viveremos
sempre em interação com outros seres humanos,
quer queiramos quer não. Todas as pessoas têm algumas
necessidades básicas que precisam ser supridas: necessita
de afeto (amor), aceitação, reconhecimento (incentivo),
segurança (aqui enumeramos alimentação,
moradia, saúde, proteção, etc) e uma boa
auto-imagem. É na família, desde pequeno, que
espera-se, sejam supridas todas estas necessidades. Quando o
indivíduo está em défict (falta), nestas
necessidades, podem surgir distúrbios orgânicos
e psicológicos e contribuir para a formacão de
uma personalidade problemática. Vejamos alguns destes
problemas familiares.
Educação deficiente
dos pais
A educação deficiente dos pais leva-os a educar
erradamente seus filhos e a servirem de mau exemplo.
Educação mal
orientada dos filhos
Uma criação excessivamente mimada faz a pessoa
se achar o dono do mundo e muito egocêntrica, superior
aos outros. A criança excessivamente reprimido, criticada
ou ignorada (alheamento) fica prejudicada na formação
de sua auto-imagem, tornando-se, portanto, revoltada ou complexada.
Pais desajustados
Gera um clima de insatisfação na família,
insegurança e vergonha nos filhos.
Má comunicação
Quando os pais agridem seus filhos com palavras chamando-os
de mentirosos, ordinários, chama a filha de sem vergonha,
afirma que o filho não vai nunca conseguir nada na vida,
estão, na verdade, condicionando-os a serem exatamente
o que se diz a respeito deles. Estão contribuindo para
a formação de uma auto-imagem negativa, levando
à auto-rejeição podendo culminar com o
suicídio.
Pais dominadores
Não aceitam a individualidade dos filhos prejudicando,
assim, a formação de sua personalidade. Querem
decidir pelos filhos sufocando a iniciativa pessoal deles.
Todos estes problemas acarretam desequilíbrio psicológico,
criação de um mundo ilusório e imaginário
como fuga, atitude hostil para com a vida e refúgio em
drogas. Todas estas atitudes são métodos errados
de auto-afirmação.
Terminando este nosso primeiro contato, apelo aos pais para
que se conscientizem da grande responsabilidade que possuem
diante de Deus e a sociedade na educação dos filhos.
É compensador quando os pais são bem sucedidos
na educação dos filhos. Sua vida e exemplo são
neles reproduzidos.
Despeço-me com dois versículos da Bíblia.
“Ensina a criança o caminho que deve andar e quando
for velho não se desviará dele” (Provérbios
22.6), e “vós pais criai-os na doutrina e admoestação
do Senhor” (Efésios 6.4).
Seu amigo.
Pr. Derly Neves
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