
A importância do diálogo
Prezados pais, aqui estamos de volta para continuar falando
acerca da importância da família na vida do ser
humano, particularmente do adolescente e do jovem. Embora estejamos
conscientes de que a comunicação abrange uma variada
gama de atitudes, que vão desde a palavra ou diálogo
até os pequeninos gestos e expressões fisionômicas,
estaremos neste artigo nos detendo especificamente no diálogo.
O diálogo tem uma importância marcante no relacionamento
familiar. Quando não há diálogo, as dúvidas
e as incompreensões vão, pouco a pouco, destruindo
a unidade da família. É neste clima que o filho
ou filha busca fora de casa um grupo para dialogar. Precisa,
portanto, haver um diálogo franco, sadio e permanente
entre os pais e entre pais e filhos. Uma vez que consideramos
o valor do diálogo na família, vejamos, agora,
as atitudes que dificultam o diálogo.
O monólogo
É o oposto do diálogo. Como a própria palavra
indica, diálogo pressupõe a alternância
das ações de falar e ouvir. Se os pais falam o
tempo todo não dando direito aos filhos de falarem, não
está havendo diálogo. Isto é por causa
de um preconceito que os pais têm de que os filhos, por
motivos de menos idade, não sabem nada e não têm
experiência da vida.
Quando os filhos são pequeninos,
os pais gostam tanto de ouvi-los. Pedem para que eles repitam
suas estórias repletas de gaguejos e mímicas.
Riem. Elogiam. Ouvem-nos orgulhosamente. E agora? Por que não
os deixam falar? Antes não sabiam falar e os pais faziam
questão de ouvi-los. Agora que sabem falar tão
bem os pais negam-lhes este direito.
Não era para os pais se orgulharem
destes filhos e ouvi-los prazeirosamente mesmo que esbocem argumentos
débeis e inconsistentes?! Não podemos inibi-los
ridicularizando suas idéias ou impedindo-os de falarem.
Existem adolescentes extrovertidos e
falantes. Se deixarmos falam o tempo todo. Isto não é
totalmente mal. Ouvindo-os, sabemos o que eles pensam e assim
poderemos orientá-los melhor. Por isso muitos pais dizem:
“já sei o que ele vai dizer.” O filho se
cala e vai procurar fora de casa quem valorize suas idéias.
Vai ouvir também coisas terríveis. E a Bíblia
diz que as más conversações corrompem os
bons costumes.
A mania
de criticar
Até certa idade você elogiava seu filho para todo
mundo. Lembra-se? E agora? Só críticas, só
reprimendas. Esta mudança chega a traumatizar os filhos
fazendo-os achar que estão sendo rejeitados. Há
pais que só se dirigem aos filhos para chamar-lhes a
atenção, para passar-lhes um sermão. Procuram
depois argumentar dizendo: “estou fazendo isto para o
bem deles”. Sim, concordo que esta seja a intenção.
Mas, com este método, estão causando mais mal
do que bem.
A falta
de tempo
Muitos alegam falta de tempo para dialogar com seus filhos.
Dizem estar muito ocupados. No entanto, ficam até altas
horas da noite no bar com os amigos. Outros mergulham excessivamente
no trabalho. Sabe o que isto significa para seu filho? Ele entende
que lazer, cerveja, amigos e trabalho são mais importantes
para você do que ele como filho.
O bom
diálogo
Vejamos, agora, como manter um bom diálogo com os filhos:
Pense bem antes de falar e verifique
se seus argumentos estão alicerçados em preconceitos
infundados ou em raciocínios aceitáveis. Não
seja radical e intransigente.
Reconheça que seus filhos são seres humanos normais,
que pensam e que têm direito de expressar seus pensamentos,
mesmo que sejam diferentes dos seus como pai ou mãe.
Tente disciplinar-se na arte de ouvir. Lembre-se que nesta idade
os filhos são bastante sarcásticos e irritantes.
Vocês, pais, é que devem demonstrar sabedoria e
não se deixarem levar pelo jogo de seu filho.
Começe o diálogo falando
coisas amenas. Não começe com reprimendas ou assuntos
polêmicos. Mostre-se amistoso. Sorria amigavelmente. Procure
fazer com que seus filhos se sintam bem conversando com você.
Elogie-os em alguma coisa. Incentive-os em alguma habilidade
em que eles se destaquem, como arte, música e esporte.
Elogie o porte físico deles.
Seja cavalheiro com sua filha e respeite seu filho. Não
os repreendam perto de seus amigos(as) ou namoradas(os). Ouça-os
atentamente mesmo que o assunto não lhe seja muito interessante.
Se precisar repreendê-los não
o faça com palavras ofensivas. Começe com algum
elogio. Exemplo: "Meu filho, você tem demonstrado
ser um rapaz de bons princípios. Não entendi por
que agiu daquela forma ontem à noite".
Numa polêmica entre você
e seus filhos não imponha sua opinião. Busque
o consenso amigavelmente. Não desista deste método.
Não queira ensinar sempre. Seja
humilde e demonstre que está aprendendo com eles também.
Não se esqueça. O diálogo
construtivo é um canal aberto entre você e seus
filhos pelo qual passará boas influências nos dois
sentidos. Não são apenas os pais que ajudam a
moldar a personalidade dos filhos. Os filhos também ajudam
a aperfeiçoar o caráter dos pais.
Seu amigo.
Pr. Derly Neves
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