
Combatendo as drogas com amor
Lembro-me que nos momentos mais difíceis de minha vida,
em que estava na luta contra a dependência de drogas e
a loucura, o apoio e o amor de minha família foram fundamentais.
Através dela pude encontrar as condições
favoráveis para abrir caminho para a recuperação.
A paciência de meu pai, o carinho de minha mãe,
a compreensão e o afeto de meus irmãos, foram
decisivos para a saída do atoleiro em que estava.
Hoje, no trabalho de aconselhamento e ajuda realizado pelo
PROJETO VIDA URGENTE aos dependentes químicos, temos
encontrado famílias que não estão dispostas
a ajudá-los. São pais que chamam seus filhos de
“maconheiros” ou “bandidos” e que negam
o apoio necessário. Pais que afirmam, amargamente, não
haver mais solução para o problema e que seus
filhos (“não tem mais jeito”).
Lembro-me que meus pais estiveram ao meu lado até o
último momento em que fui encaminhado para a internação
em um centro de tratamento evangélico para dependentes
de drogas, em São Paulo, em dezembro de 1984. Hoje sou
uma pessoa em recuperação. É certo que
para uma recuperação completa são necessárias
muita força de vontade e fé em Deus da parte do
dependente químico. Mas não podemos ignorar que
a família tem um papel de especial importância
nesse processo. O dependente, nessa fase difícil de sua
vida, necessita urgentemente de pessoas amigas que o aceitem
e acreditem nele. Que não o tratem como uma coisa sem
valor, que não presta para nada. Necessita de pessoas
que o apoiem em sua desesperada luta pela vida. A família
precisa e deve cumprir essa missão de solidariedade e
amor.
Se você é pai ou mãe e tem um filho dependente
do álcool, maconha, cocaína ou outro tipo de droga,
saiba que ele é uma pessoa enferma e que não é
totalmente culpada por ser o que é. A Organização
Mundial de Saúde considera a dependência química
(drogas) uma doença que necessita de tratamento adequado.
O tipo de atitude sua e de sua família em relação
a ele irá determinar, em grande parte, as possibilidades
de sua recuperação. Se a atitude for de desprezo
e desamor, dificilmente ele conseguirá a saída
e continuará em sua caminhada sem volta, em direção
ao fundo do poço. Se a sua atitude for de acolhimento
e amor, ele terá as condições favoráveis
para reerguer-se e caminhar na direção da reabilitação
para a vida.
Não existe outra maneira mais eficiente de combater
a dependência de drogas que não seja através
do amor. Amor que traduz-se em mão estendida, abraço
caloroso, paciência, atitudes duras nos momentos certos
com palavras certas e entrega sem medida em favor daquele que
está enfermo. Esse método tem dado certo para
muitos dependentes de drogas e suas famílias. Temos experiências
de várias pessoas que estão saindo do inferno
e florescendo para a vida.
A Bíblia ensina que “...o amor tudo sofre, tudo
crê, tudo espera, tudo suporta...” (I Coríntios
13.7), e que “...aquele que diz estar na luz e odeia a
seu irmão, até agora está nas trevas. Aquele
que ama a seu irmão permanece na luz e nele não
há tropeço” (I João 2.9-10).
Eu, como dependente químico em recuperação,
creio firmemente na possibilidade de qualquer outro dependente
de drogas libertar-se do inferno em que vive, seja qual for
a situação e as condições em que
esteja. Esse combate é travado no campo do amor familiar
intenso e verdadeiro, na área da força de vontade
pessoal e na dimensão da fé total em Deus.
As palavras bíblicas são verdadeiras quando afirmam:
“Se Jesus Cristo vos libertar, verdadeiramente sereis
livres” (João 8.36).

Eduardo Souza
Diretor do Projeto Vida Urgente
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