
Excesso de agressividade: o maior obstáculo para a comunicação
Prezados pais e amigos. Aqui estamos para esse terceiro contato.
Desejo que os dois primeiros tenham sido bastante proveitosos
para os pais leitores que estão interessados nesse assunto.
No artigo anterior, demos atenção ao diálogo
como sendo a parte mais importante e emocionante da comunicação.
Creio que todos estão lembrados que abordamos, entre
outras coisas, os obstáculos que atrapalham e impedem
um diálogo franco e proveitoso. Hoje, queremos abordar
o maior de todos os obstáculos que é o excesso
de agressividade.
Não sei se o leitor já observou como as pessoas
andam excessivamente agressivas. Todos estão armados
contra todos. Atritos no ônibus, no trabalho, na rua e,
o que é pior, até na família. Como disse
Jesus: “nação contra nação,
reino contra reino”. Até quando se assentam na
mesa de negociações podemos perceber que todos
estão armados do mesmo sentimento: se não concordarem
comigo vou virar a mesa. Não é isso mesmo?
Surge, então, a pergunta: Por que esta agressividade
excessiva?
Outra melhor: podemos acabar com esse clima de agressividade?
Por onde começar? Resposta: na família.
Vejamos algumas causas do excesso de agressividade.
Temperamento
Coloco essa causa como a primeira porque vem de dentro da pessoa,
independente da forma como ela tem sido tratada. Creio que algumas
pessoas poderiam argumentar que não é bem assim,
que a agressividade gera agressividade. O que diríamos
então de bebês que, com apenas oito ou dez meses
de idade já tentam bater no rosto do pai ou da mãe?
Essa é uma idade em que são tratados com todo
carinho. De onde vem a agressividade desses bebês? Do
temperamento. Na fecundação do óvulo pelo
espermatozóide os cromossomos se unem aos pares e os
genes se dispõem de tal maneira que formam a matriz genética
do novo ser humano. Nessa matriz já estão implícitos
todos os caracteres físicos e psicológicos fundamentais
da pessoa. Eu disse caracteres psíquicos fundamentais
porque muitos outros são formados no decorrer do relacionamento
com o mundo exterior, mesmo desde antes de nascer. A agressividade
está presente em todos os temperamentos, mas alguns são
mais propícios a ela.
Criação
Juntando as tendências do temperamento com a maneira como
a pessoa foi criada na infância temos um outro fator fortemente
determinante do excesso de agressividade. Crianças criadas
aos gritos, ameaças e palavras depreciativas, desenvolvem
uma espécie de auto defesa em forma de agressividade.
Nesse caso, terá tendências para explosões
de gênio sempre que contestada ou contrariada, tornando-se
uma pessoa altamente crítica de tudo e de todos. É
por isso que muitos meninos e meninas na adolescência
e juventude se tornam muito agressivos com os pais e amigos.
Cortam o relacionamento com os pais, não querem ouvir
e acham que se lhes derem atenção ouvirão
mais e mais críticas. Não gostam de ouvir o que
os pais têm a dizer, ainda que esses estejam certos. O
problema não é criticar; o problema é fazê-lo
de forma desagradável e até indelicada.
A intimidade familiar
Coloco aqui a intimidade familiar não por ser causa de
excesso de agressividade, mas a compreensão errada dessa
intimidade é que se torna causa de agressividade. Temos
a impressão que podemos falar o que quiser e da maneira
que quisermos com os nossos familiares, justamente por ser nossos
familiares. Isso é totalmente errado. Devemos tratar
nossos familiares com a mesma cortesia com que tratamos nossos
amigos. Se os pais tratassem seus filhos com o mesmo tato com
que tratam seus amigos, e até os colegas de seus próprios
filhos, eles teriam um resultado muito satisfatório nesse
diálogo. Essa forma diferente de tratar os familiares
gera revolta e provoca excessiva agressividade também.
Vítimas da violência
Pessoas que na infância foram violentadas fisicamente,
espancadas ou maltratadas, desenvolvem dois mecanismos de defesa.
Um deles é ser extremamente agressivo também.
Nesse caso é verdadeiro o ditado: “violência
gera violência”. Essa agressividade excessiva pode
levá-las até ao assassinato. O outro mecanismo
é fechar-se dentro de si mesmo com medo da vida, baixo
grau de auto-estima, tornando-se depressivo com tendências
ao suicídio.
Decepção
Como já falamos em artigo anterior, na adolescência
o ser humano tem decepções com os seus pais, autoridades
civis e religiosas e com as instituições. Isso
causa revolta. É como se o adolescente dissesse assim:
“fui enganado”. Essa revolta torna as pessoas muito
mais agressivas.
Egocentrismo
A razão psicológica mais profunda está
numa grande falha de personalidade da qual todos nós
somos vítimas, uns mais outros menos. Essa falha chama-se
egocentrismo. A pessoa excessivamente egocêntrica faz
de si mesma e de seus interesses o centro do universo. Como
ela se preocupa excessivamente consigo mesmo perde de vista
todas as coisas que estão fora delas. Ficam, portanto,
sem objetivos. Tudo que contraria seus interesses é atacado
fortemente.
Bem, creio que já consideramos as possíveis principais
causas do excesso de agressividade. Como, porém, podemos
nos livrar dela? Vejamos alguns meios.
Através da razão
Precisamos nos conscientizar que agressividade é uma
atitude inconsciente, impulsiva e irracional. Analise sua agressividade
à luz da razão e verá que, afinal de contas,
não precisa ser tão agressivo. Você não
é obrigado a continuar agindo dessa forma. Através
de uma atitude racional e criativa você descobrirá
outras formas de expressar seu descontentamento. E, além
de tudo, a pessoa extremamente agressiva é essencialmente
indelicada.
Auto disciplina
Depois do auto exame acima, você deve se obrigar a tomar
determinadas atitudes de auto controle. Deve se auto policiar
ou auto disciplinar. Quem procede assim não corre o risco
de ser julgado por seu semelhante. È melhor sermos humildes
e reconhecer nosso erro do que sermos humilhados por outras
pessoas.
Aproveitando as críticas
recebidas
As pessoas muito agressivas se julgam no direito de criticar
tudo e todos, porém, ficam furiosas quando são
criticadas. Adquira o hábito de considerar atentamente
as críticas recebidas ao invés de justificar-se
veementemente.
Experiência religiosa
Caro leitor. Como pastor e, acima de tudo, como cristão
convicto, estou certo de que o melhor meio de nos livramos de
nosso egocentrismo, nosso temperamento e nossa excessiva agressividade,
é através da experiência cristã chamada
de conversão. Nessa experiência a totalidade do
nosso ser é como que recriada ou refeita. Essa experiência
muda completamente nossa maneira de ser, agir e pensar. Na linguagem
do apóstolo Paulo, nos tornamos “nova criatura”
(II Coríntios 5.17). Os métodos que recomendamos
não surtirão muito efeito sem essa experiência.
Quando temos Cristo em nós pela fé, Deus nos enche
do seu amor. Paramos de pensar mais em nós mesmos e passamos
a fazer do bem-estar dos outros o objetivo de nossas vidas.
Isso se chama altruísmo que é o contrário
de egoísmo. A pessoa egoísta na consegue ser feliz,
pois está sempre contrariada e aborrecida. Esse amor
que Deus coloca em nossos corações está
descrito em I Coríntios 13. O apóstolo Paulo declara
que esse amor não se irrita além de outras posturas
maravilhosas. Só isso já ajudará bastante,
pois a irritação sempre antecede ao excesso de
agressividade.
No próximo artigo veremos como podemos criar, em nosso
lar, um ambiente agradável e favorável ao diálogo.
Um forte abraço.
Pr. Derly Neves
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