Maconha medicinal seria benéfica para pacientes de esclerose múltipla

Publicada em 24/05/2008 às 19h20m
Christine Lages - O Globo Online

RIO - O uso da maconha medicinal gera polêmica até na comunidade médica. No Brasil, o toxicólogo da Universidade de São Paulo (USP) Anthony Wong diz que ainda não se sabe a real eficácia do cannabis (nome científico da maconha) para a saúde do homem. Mas ele também afirma que em casos de esclerose múltipla, a maconha medicinal para ajudar mais o paciente. - Na comunidade médica não há consenso de que há um benefício para todas as doenças. Não tenho a certeza de que a maconha medicinal seja realmente uma solução. Existem remédios que têm efeito melhor que o do cannabis - explica ele.

Wong usa cautela para falar sobre legalização da maconha medicinal:
- Existem vários estudos confirmando que a maconha tem poder potencial de levar à dependência. O uso de maconha entre adolescentes eleva risco de suicídio. Os benefícios são pequenos perante os riscos.

Duas drogas sintéticas derivadas da maconha foram aprovadas
O FDA (órgão americano que regula drogas e alimentos) já aprovou duas drogas - Marinol e Cesamet - derivadas do THC (princípio ativo da maconha). Os medicamentos são usados em casos de náusea e vômito, causados pela quimioterapia, em pacientes que não respondem a tratamentos convencionais. A agência reguladora também indica o Marino e Cesamet para pacientes que sofrem de anorexia decorrente da Aids.

Segundo Wong, um cigarro de maconha clássico (fumado no Brasil) tem entre 1% a 3% de THC. Já o haxixe tem entre 6% a 8% do princípio e o skank, de 10% a 40%. O toxicólogo explica que estudos mostram que as duas drogas aprovadas pelo governo americano não demonstraram ter grande eficácia.

- Nos estudos, os pacientes que usavam o Marinol não melhoravam muito. A pílula dava alguns efeitos, como alucinação. O grupo que fumava maconha se sentiu melhor. Mas há um fator presente na maconha, fora o THC: as pessoas que fumam se sentem melhor pelo barato de fumar maconha. A minha impressão é que há vários princípios na erva que dão esse efeito - conta o brasileiro.

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