
Favelas do Comando Vermelho viram as cracolândias do Rio
O DIA Online -
Por Rafael Cavalcanti
Rio - Mangueira, Jacarezinho e Complexo do Alemão viraram as
cracolândias do Rio. O consumo da droga explodiu nas três
comunidades, dominadas pelo Comando Vermelho (CV), facção que
passou a vender crack para compensar o prejuízo com as apreensões
de cocaína e maconha e também com a perda de usuários, que tentam fugir da violência.
Barato e muito potente, o crack já é a quarta droga mais consumida no Rio.
Segundo o titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), Marcus
Braga, Mangueira, Jacarezinho e Alemão são as piores áreas, embora
haja crack em todos os domínios do CV: “Os bandidos não queriam a
droga porque ela mata rápido. Mas em 2003 o PCC (Primeiro Comando da
Capital, facção paulista), que fornece ao CV, passou a só negociar
outras drogas se vendesse crack junto. O tráfico estimulou a venda.
A estratégia era ganhar a classe baixa”.
Situação sem controle
O delegado define o crack como uma ‘bomba de alto poder de
destruição’, porque vicia em um mês, causa danos irreparáveis
ao cérebro e faz com que os usuários cometam crimes por estarem
drogados. “Vivemos uma situação de descontrole. O número de
apreensões mais que triplicou em três anos, e o resultado é o aumento da sensação de insegurança”, diz Braga.
Jovem busca a recuperação
N., 16 anos, filha de família de classe média, conhece bem a
realidade do crack. “Comecei indo a baile funk. Aí fiquei com
traficante, usei crack, cocaína, maconha, tudo. Cheguei a me
prostituir para me drogar”, conta ela, que procurou ajuda após a
morte do namorado, que era bandido. Após tratamento no Instituto
Aldeia Gideão, em Niterói, hoje N. termina a recuperação em casa.
‘Os crimes ficarão piores’
O psiquiatra Jairo Werner Júnior, da Uerj, alerta para o aumento do
uso de crack por meninos de rua. Em pesquisa realizada por ele entre
os anos de 2003 e 2005, de 18 menores entrevistados, todos tinham
usado a droga. “A mente deles, sob efeito constante da droga, fica
completamente alterada. Se isso continuar, os crimes ficarão piores,
e não conseguiremos controlar a situação”, alertou.
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