
PF alerta para uso da nova droga chamada mCPP
O DIA Online -
Por Francisco Edson Alves
Rio - Considerado o terceiro maior consumidor de drogas sintéticas no
mundo, conforme relatório divulgado pelo Escritório da ONU sobre
Drogas e Crime, o Brasil tem um motivo a mais para se preocupar: uma
nova substância produzida em laboratório, a clorofenilpiperazina ou
m-clorofenilpiperazina (mCPP), começa a ser usada em larga escala,
principalmente no Estado do Rio. As primeiras investigações sobre a
chegada do entorpecente, que tem aparência e efeitos parecidos com o
ecstasy, foram iniciadas há seis meses pela Polícia Federal de
Volta Redonda, no Sul Fluminense.
“Começamos a desvendar um forte esquema que abastece festas ‘rave’ na capital e no interior com o novo e perigoso ‘combustível’ (mCPP), além de ecstasy, skank e LSD. O mCPP é
produzido na Europa, onde é usado como antidepressivo. Ainda não
sabemos com certeza a origem dos comprimidos, mas acreditamos que os carregamentos estariam vindo da Holanda, como medicamento, pelos
Correios”, afirmou o delegado da PF em Volta Redonda, César
Augusto Gaspar.
Há duas semanas, durante a Operação Deserto (em alusão aos
usuários que têm sede exagerada), a PF prendeu dez suspeitos de
integrar uma quadrilha que traficava o produto, com conexões em
favelas do Rio e São Paulo. “Todos são jovens de classe
média”, diz Gaspar.
A apreensão de mil comprimidos de mCPP — a maior no País — pela
Polícia Rodoviária Federal (PRF), em julho, na Via Dutra, em Volta
Redonda, ajudou a PF a chegar ao bando. Com base em interceptações
telefônicas autorizadas pela Justiça, agentes da PF descobriram que
o mCPP foi comprado na Mangueira, no Rio, e identificaram mais de 30
viciados só no Sul do Estado. Vinte já prestaram depoimento.
X., 18, que aparece em um dos grampos, foi arrolada como testemunha
pela PF. Ela diz apenas conhecer integrantes da quadrilha e que nunca
usou mCPP. “Os efeitos são muito loucos. Em festas rave, vi
mulheres ficarem nuas, gente alucinada, tendo convulsões. Há
apostas para ver quem é que fica mais doidão. Muitos passam mal”,
conta a jovem, que diz ficar aterrorizada com os efeitos.
César Augusto Gaspar planeja novas operações devido à crescente
identificação de usuários de mCPP e ecstasy. “As investigações
continuam. A Operação Deserto é conseqüência de outras, como a
Xeque-Mate, em 2006, da Roseira, em 2007, e da Barragem, no ano
passado. Em dois anos, prendemos 120 traficantes”, comenta.
Anvisa deverá incluir substância em lista de proibidos
A preocupação com o mCPP é tão grande que a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) aguarda pedido formal da PF para
incluí-lo na lista de produtos proibidos. Segundo especialistas, a
substância, que pertence à classe das piperazinas, imita os efeitos
do ecstasy, cujo comprimido chega a custar R$ 60 em festas rave. A
primeira sensação é de elevação do humor e bem-estar. “Mas as reações são piores: de intensa dor de cabeça e vômito
até ataques de pânico e confusão mental. Misturado ao álcool ou
cocaína pode ser fatal”, alerta Maria Thereza de Aquino, diretora
do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad/Uerj). Ela diz que a piperazina dá sensação de humor ao
usuário e é tão forte, que é usada como princípio ativo de
medicamentos usados para sedar esquizofrênicos em crises. “Como
prevenção, o mais eficaz é o diálogo entre pais e filhos, pois,
ao contrário de outras drogas, o mCPP não deixa cheiro ou rastro
aparentes”, ressalta.
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