
Maior mercado consumidor de cocaína da América do Sul está no
Brasil, diz relatório da ONU
Matéria de Claudia Andrade, do UOL Notícias
O consumo de cocaína também está crescendo em vários países da América do Sul, incluindo o Brasil. É o que aponta relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre drogas divulgado nesta
quarta-feira (24). Em números absolutos, o mercado brasileiro é o
que mais consome a droga no continente, com cerca de 890 mil usuários, o equivalente a 0,7% da população entre 12 e 65 anos, segundo dados dos anos 2006/2007. Em 2001, os usuários de cocaína representavam 0,4% da população.
Se o consumo aumenta, crescem também as apreensões da droga. Nos
países do Cone Sul (Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai),
as apreensões passaram de 10 toneladas no ano 2000 para 38 toneladas
em 2007. "Isso reflete o aumento crescente da importância desses
países para o tráfico de cocaína, tanto para satisfazer a demanda
interna quanto para reexportar a cocaína para mercados como Europa, África e região do Pacífico", constata a ONU, em seu relatório.
Em 2007, a América do Sul contribuiu com 45% do total mundial de
apreensões da droga, o equivalente a 323 toneladas. Mais de 60%
desse número veio da Colômbia. No Brasil, foram apreendidas 17
toneladas de cocaína, o que coloca o país em 10º no ranking
mundial. No ano anterior, o Brasil ocupava a 12ª posição, com
pouco mais de 14 toneladas apreendidas.
De acordo com a Polícia Federal, a apreensão de cocaína no país
aumentou entre 2007 e 2008, passando de 18,5 toneladas para 20
toneladas. "Contudo, esse não é o nosso principal objetivo. Temos
tentado fazer a desarticulação das organizações criminosas que
atuam neste comércio", disse Roberto Troncon Filho, diretor de combate ao crime organizado da PF.
O relatório da ONU destaca, no entanto, uma queda na produção de cocaína no mundo todo. Em 2004, a produção superou as 1.000
toneladas, número que caiu para 845 toneladas no último
levantamento. A redução de 28% na produção da droga na Colômbia
contribuiu para a diminuição global, de acordo com o relatório.
Crack: apreensão quase quadruplica
No caso do crack, as apreensões no Brasil cresceram quase quatro
vezes de 2006 para 2007, passando de 145,3 toneladas para 578
toneladas. No período histórico do levantamento, que começa em
2002, o ano em que a apreensão da droga foi menor no país foi 2004,
com 101 toneladas apreendidas. Em toda América do Sul, as apreensões
passaram de 479,3 toneladas em 2006 para 706,8 toneladas no ano
seguinte.
Maconha
O consumo de maconha no Brasil está aumentando. Segundo o documento
da ONU, a taxa anual de consumo no país passou de 1% em 2001 para
2,6% em 2005. "De acordo com as autoridades brasileiras, esse número
parece continuar subindo nos anos subsequentes", afirma o relatório.
Segundo as Nações Unidas, a maconha continua sendo a droga mais
cultivada e consumida em todo o mundo. E o alerta do relatório é
para os danos que a droga traz à saúde. "O índice médio de THC (o
componente prejudicial da droga) observado na maconha na América do
Norte quase dobrou na última década. Essa mudança traz grandes
implicações à saúde, evidenciada por um aumento significante no número de pessoas em busca de tratamento."
Heroína e drogas injetáveis
O relatório da ONU aponta que o Brasil tem o maior número de
usuários de opiáceos (ópio, heroína, morfina) entre os países da
América do Sul. São cerca de 635 mil usuários, ou 0,5% da
população entre 12 e 65 anos. A maioria usa analgésicos e só uma
pequena parte usa heroína (menos de 0,05%). "Os dados mostram uma tendência de estabilização no uso de opiáceos nas Américas, mas tendências de crescimento no México, na Venezuela e na Argentina",
diz o documento.
DADOS DO BRASIL
SOBRE USUÁRIOS DE DROGAS JOVENS
NA AMÉRICA DO SUL |
Cocaína |
1º lugar |
Anfetaminas |
2º lugar, atrás da Colômbia |
Maconha |
5º lugar, atrás de Chile, Uruguai, Colômbia e Argentina |
No caso das drogas injetáveis, o Brasil está entre os países com a
maior população de usuários. Ao lado de China, Estados Unidos e
Rússia, soma 45% do total estimado de usuários no mundo.
O relatório alerta para o perigo de infecção pelo vírus da Aids.
Estima-se que entre 0,8 milhão e 6,6 milhões de usuários de drogas
injetáveis no mundo inteiro estejam infectados pelo vírus HIV,
principalmente no Leste Europeu, Leste e Sudoeste da Ásia e América
Latina.
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